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Gestalt-Terapia

  • biancapeteck
  • 21 de mar. de 2022
  • 6 min de leitura

Atualizado: 9 de ago. de 2022

Origem da Gestalt- Terapia: influências teóricas e filosóficas

Frederick Fritz Perls, psiquiatra e psicoterapeuta alemão, encontra-se como o precursor da GestalT-Terapia. Perls foi influenciado diretamente por teorias como a psicanálise, psicologia da Gestalt, existencialismo e fenomenologia. Tais materiais teóricos defendem a importância de examinar as situações no presente, como também, acreditava na relevância da consciência de como a pessoa se comporta a fim de alcançar a auto compreensão e a capacidade de mudança, além de compreender o ser humano de forma holística (entendimento integral dos fenômenos). Assim sendo, Perls propôs à abordagem gestáltica uma visão de mundo alternativa e existencial (FADIMAN; FRAGER, 1986).


A Gestalt-Terapia surgiu no final do século XIX e encontra-se apoiada nas vertentes filosóficas como a fenomenologia, existencialismo e humanismo. A teoria também possui influência da teoria de campo de Kurt Lewin e da teoria organísmica de Kurt Goldstein. A Gestalt-Terapia segue conceitos básicos no estudo da prática e sua aplicação. Os principais são o de campo, figura e fundo, auto-regulação organísmica, awareness, ciclo de contato e o ajustamento criativo. Desse modo, ao longo do texto, segue a definição e articulação desses conceitos.


A fenomenologia começa a tomar forma sendo caracterizada pelo estudo dos fenômenos, ou seja, aquilo que é dado consciência. Seguindo a lógica fenomenológica, pretende-se explorar os dados intuitivos do sujeito, sem estabelecer quaisquer hipóteses ou pré-conceitos a seu respeito; busca-se entender como se dá a relação sujeito-objeto. Desse modo, a perspectiva fenomenológica constata o caráter intencional da consciência – esta é sempre consciência de alguma coisa. É síntese em fluxo, é dinâmica e não tem substancialidade, é estar no mundo, ser consciente do seu mundo e faz com que o indivíduo vincule‑se a ele por meio do corpo; A partir desse corpo é que podemos nos relacionar com as coisas e com os outros seres humanos (FRAZÃO; FUKUMITSU, 2013).


O existencialismo também é uma vertente que constrói o fazer gestáltico, dando fundamentação à sua teoria. Esta corrente filosófica, como seu próprio nome sugere, prioriza o estudo da existência do ser humano; O indivíduo é energia viva e ativa, que surge a partir de situações concretas de opção, situações essas enraizadas nos momentos em que o homem focaliza todas as suas potencialidades numa opção que ressoará por toda sua vida (GINGER, 1995 p. 36).


Ou seja, cada ser humano tem suas possibilidades, desde o momento em que nasce e, a partir delas, possui potencialidade de agir, suas escolhas e responsabilidade por elas. A noção de responsabilidade de cada pessoa diz respeito à participação ativa da construção de seu próprio projeto existencial e dá um sentido original ao que acontece no mundo que a rodeia, criando uma relativa liberdade (GINGER, 1995 p. 36).


Em concordância com o pensamento existencial, a Gestalt-Terapia revela-se como uma proposta de reflexão sobre a existência humana. No ambiente terapêutico, levando-se em consideração o cliente como um ser livre para construir seu projeto de existência, a abordagem intenciona ampliar sua consciência de si no mundo (awareness), bem como, capacitá-lo em fazer escolhas responsáveis e organizar a própria vida (FRAZÃO; FUKUMITSU, 2013).


O pressuposto filosófico do humanismo propõe a ideia do homem como centro do mundo e da existência, e que cada indivíduo possui um alto potencial para o crescimento e atualização de si. Dentro desta concepção, os valores humanos são tidos como algo sem fim, exaltando aquilo que há de potencialidade do homem no mundo (FREITAS, 2016).


Dentre outras contribuições, o humanismo individual, recupera valores como independência, hedonismo, dissidência, tolerância, permissividade e auto expressão. Esses valores aparecem defendendo o valor da pessoa não pela sua produção, mas pelo seu potencial. Segundo Royce e Mos (1981), emerge-se a oração da Gestalt, a qual recomenda que cada um cuide de sua vida, que viva para sua expectativa e não para a expectativa do outro (GOMES; HOLANDA; GAUER, 2004).


Falamos também sobre teoria organísmica advinda do neurologista alemão Kurt Goldstein, a qual caracteriza o funcionamento do organismo como forma de interagir com o mundo, segundo a qual o organismo pode se atualizar, respeitando a sua natureza do melhor modo possível. Nesta teoria, fica claro o aspecto de constante movimento procedente do desenvolvimento da relação de troca entre organismo e ambiente, promovendo o dinamismo de interações e a autorregulação criativa do sujeito, já que o mesmo terá como prioridade a satisfação de suas necessidades (LIMA, 2009).


Referente a Teoria de Campo de Kurt Lewin, Yontef (1998 apud FREITAS, 2016) salienta que acontecimentos da vida humana, como eventos marcantes, experiências pessoais, objetos e organismos se constituem como partes significativas de uma totalidade de influências, que, juntas, interagem de maneira significativa na vida do ser. Desta maneira, a Teoria de Campo enfatiza que todas as coisas e acontecimentos que se fazem presente no mundo, estão conectadas à um campo de inter-relações e não devem ser analisadas de maneira isolada, uma vez que acontecimentos são partes de um todo unificado e contínuo. Os fenômenos se modificam constantemente no tempo e no espaço, e a interpretação destes é influenciada pelo campo de experiências do sujeito (FREITAS, 2016).


Que tal fazer um exercício sobre comparação entre os elementos da imagem com os conceitos apresentados a seguir?


Principais conceitos

Figura e Fundo

Um dos termo mais importante da Gestalt é o de figura e fundo. Quando o cliente em terapia traz sua demanda, esta deve ser entendida como figura, no entanto, só é passível de ser revelada devido a existência do fundo, Desse modo, o fundo é o que está detrás da figura, o que exprime as vivências e compõe o cenário que coexiste com a queixa principal. Logo, a figura não pode ser vista como algo a parte, sem conexão com o fundo, uma vez que a existência da figura depende inteiramente do fundo que a compõe (RIBEIRO, 1985 apud BARRETO, 2017).

Campo

Segundo Barreto (2017), os psicólogos da Gestalt abordam que a solução de uma demanda, requisita necessariamente a reorganização do campo do sujeito. O campo nesse sentido, se refere ao espaço em que o sujeito transita, o lugar que ele constitui o ego e as subjetividades, logo, os indivíduos expressam-se de acordo com seu campo vivencial (MARCOLLI, 1977 apud BARRETO, 2017).

Auto-Regulação Organísmica

A auto-regulação organísmica confere ao modo como o organismo se relaciona e interage com o meio, levando em consideração sua própria natureza. Desse modo, sua capacidade de se auto-regulação possibilita que o organismo se adeque de acordo com as próprias necessidades no aqui e agora (PERLS, 1998 apud BARRETO, 2017).

Awareness

A awareness compete a tomada de consciência do sujeito referente a uma necessidade e sua resposta, que quando resolvida possibilita que a Gestalt seja fechada. Uma awareness quando não ampliada prejudica o processo de construção da Gestalt e consequentemente o desenvolvimento do sujeito, uma vez que ele perde sua capacidade de reconhecer suas demandas e posteriormente satisfazê-las (BARRETO, 2017).

Ciclo de contato

O ciclo de contato caracteriza-se como um conceito significativamente relevante para a Gestalt-terapia. A palavra contato é interpretada como o intercâmbio entre sujeito e o ambiente que o rodeia dentro de sua totalidade. Sendo assim o contato está relacionado aos ciclos de encontros e retiradas no campo do organismo e meio (D´Acri, 2012 apud TEIXEIRA; OLIVEIRA, 2017), caracterizado como um sistema que possibilita ver a realidade por meio de seu próprio intermédio, a modo em que expõe um processo de relações entre o eu e o ambiente (TEIXEIRA; OLIVEIRA, 2017).

O Ajustamento Criativo

O ajustamento criativo consiste na forma em que o sujeito por meio de “ferramentas” mentais, ajusta-se ao meio, encontrando alternativas para alcançar um objetivo visado ou a resolução de uma problemática (BARRETO, 2017).



Referências

BARRETO, Carine do Espírito Santo. UM ESTUDO SOBRE A GESTALT-TERAPIA NA CONTEMPORANEIDADE. PSICOLOGIA.PT: O Portal dos Psicólogos, Rio de Janeiro, p. 1-17, 02 jul. 2017. Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0411.pdf. Acesso em: 09 jun. 2020.

FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, [1976] 1986.

FRAZÃO, Lilian Meyer; FUKUMITSU, Karina Okajima (org.). Gestalt terapia: fundamentos epistemológicos e influências filosóficas. São Paulo: Summus, 2013.

FREITAS, Julia Rezende Chaves Bittencourt de. A relação terapeuta-cliente na abordagem gestáltica. Igt na Rede, Rio de Janeiro, v. 13, n. 24, p. 85-104, out. 2016.

TEIXEIRA, Larissa Santana; OLIVEIRA, Bruna Luzia Garcia de. UMA COMPREENSÃO SOBRE A DEPRESSÃO A PARTIR DA GESTALT-TERAPIA. Revista UNINGÁ, Loanda, v. 51, p. 71-76, 11 jan. 2017. Disponível em: http://revista.uninga.br/index.php/uninga/article/view/1345/963. Acesso em: 09 jun. 2020.

LIMA, Patrícia Albuquerque. Criatividade na Gestalt–terapia. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 87-97, jan. 2009.

GINGER, S. e GINGER, A. Gestalt – Terapia: uma terapia do contato. São Paulo: Summus, 1995.

GOMES, W.B.; HOLANDA, A.F.; GAUER, G.. Primórdios da Psicologia Humanista no Brasil. Marina Massimi (Org.), São Paulo, v. 5, n. 8, p. 87-129, jan. 2004.


 
 
 

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